Ao longo dos últimos anos, vem crescendo o número de empresas que apostam em transformação digital em parceria com indtechs, hubs e ecossistema de inovação com o objetivo de inovar. A ideia é estimular e implantar programas e processos capazes de gerar soluções, otimizar processos, aumentar a produtividade, aplicar ferramentas e recursos tecnológicos mais eficientes, entre outros.
Foi em 2003 que o professor Henry Chesbrough utilizou o termo Open Innovation pela primeira vez para denominar o fenômeno da abertura do processo de inovação das grandes empresas. A inovação aberta nascia como oposição ao modelo tradicional de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) fechado.
Atualmente, esse é o modelo que facilita a parceria entre grandes empresas e startups: uma combinação de ideias internas com externas oriundas de outras empresas, como startups, tem sido uma forma muito buscada para concretizar essa junção. Com isso, organizações se juntam e criam uma relação de ganho mútuo.
Assim, startups podem oferecer soluções tecnológicas para situações ou problemas de grandes empresas. Já as organizações proporcionam ganhos em escala, estrutura, recursos, conhecimento e até gestão. Nesse sentido, as startups, representam a busca constante por novas tecnologias e inovação.
Por isso, firmar parcerias com essas empresas embrionárias tem sido uma tendência e pode ser altamente relevante para muitas organizações que já entenderam a importância de apostar em inovação. O modelo vem alterando em ritmo extremamente acelerado o crescimento do ecossistema de inovação.
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Crescimento de parcerias no Brasil
Segundo a plataforma “100 Open Startups”, em reportagem ao InfoMoney, de maio de 2020 a junho de 2021, o registro de acordos desse tipo praticamente dobrou. Houve um aumento de 13.433 para 26.348 parcerias. Além disso, o valor total referentes aos contratos firmados subiu de R$ 800 milhões para R$ 2,2 bilhões (crescimento de 175%).
Os números revelam uma tendência que vem se consolidando ao longo dos últimos anos: inovar não é uma tarefa que se faz de forma isolada. Pelo visto, líderes e gestores já perceberam que fazer parcerias tem sido a melhor maneira de investir e usufruir dos benefícios da inovação. De acordo com a plataforma, em 2021, mais companhias recorreram às startups para fechar contratos e parcerias de negócios.
Segundo o levantamento, subiu de 2.825 para 4.982 (aumento de 76%). Ao analisarmos esses números, é possível identificar uma mudança de comportamento: se antes a elaboração de novos produtos e de soluções eram gerados em programas de P&D e laboratórios de estudos e pesquisas das organizações, atualmente, as novas ideias estão vindo de fora.
Um levantamento feito pelo Instituto FSB Pesquisa, realizado em 2021, para a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), com 500 empresas de médio e grande porte de todo o país, revelou quais são os tipos de parceiros que mais ajudariam uma empresa a inovar, na visão dos executivos. Para a maioria (23%), os fornecedores ocupam o topo da lista. Em seguida, com 11%, outras empresas e, logo depois, os bancos (com 11%).
Características do relacionamento com startups
De acordo com a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), o Brasil tem cerca de 13.800 startups mapeadas. Destas, 8,8% estão em scale up e buscando grandes rodadas de investimento. Somado a isso, 62,3% das startups brasileiras ainda estão em fase operação e tração, ou seja, buscando crescimento e a primeira rodada de investimento.
Maria Augusta Orofino, consultora e pesquisadora do universo da inovação, defende que encontrar um parceiro certo pode ser decisivo no processo de transformação digital. A colaboração e o ecossistema são fatores-chave para que as organizações possam expandir seus horizontes, seja em soluções, produtos ou no próprio modelo de negócio. A professora divide essa parceria em 4 tipos de relacionamento. Vejamos:
- Relacionamentos de Posicionamento: são as interações que estão focadas no desenvolvimento do ecossistema, incluindo a participação de grandes empresas, assim como o reconhecimento e o monitoramento das principais tendências e oportunidades. Além disso, existe a aproximação e a formação de afinidade com a cultura de startups.
- Relacionamentos de Plataforma e Parceria: na condição do relacionamento de plataforma e parceria, as startups passam a ter acesso aos recursos das grandes organizações. Assim, conseguem se desenvolver dentro do modelo ou, ainda, utilizar a oportunidade como plataforma.
- Relacionamentos de Desenvolvimento de Fornecedores: há convivência com o propósito de desenvolver uma nova forma de fornecedores inovadores. Com isso, realizam atividades de pesquisa e desenvolvimento, utilizam os recursos das organizações e ou da própria startup que criou ou aplica uma determinada ferramenta ou tecnologia que gera interesse de outras empresas.
- Relacionamentos de Investimento: aqui é muito comum que empresas tornem-se sócias de startups. No entanto, o nível de participação e controle pode ser entendido das seguintes maneiras: programa de aceleração com equity, investimento com participação acionária minoritária e aquisição e incorporação.
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Afinal: o que é uma indtech?
Você já deve ter escutado ou lido esse termo por aí. Indtechs são startups que desenvolvem soluções voltadas para indústrias e podem transformar fábricas tradicionais em espaços tecnológicos, inteligentes, eficientes e conectados. Já as fábricas inteligentes são empresas da área industrial que apostam em modernização e estão focadas em viabilizar soluções tecnológicas, com o propósito de tornar processos ainda mais ágeis, produtivos, sustentáveis e seguros.
Indústrias que já apostaram nesses soluções já obtiveram como retorno integração eficiente e adequada entre os sistemas, plataformas e softwares. Além disso, alcançaram comunicação e conexão entre os mais diversos setores e áreas de uma fábrica. Dessa forma, uma vantagem se sobressai: o recurso humano torna-se ainda mais voltado para o controle e a supervisão de máquinas e equipamentos.
De acordo com o levantamento da 100 Open Startups, se considerarmos a intensidade dos relacionamentos desenvolvidos com as indústrias, as indtechs tiveram um aumento de 85% na atividade de Open Innovation, alcançando um total de 8.627 pontos no ranking de 2021. Desde 2016, quando iniciou-se a apuração do ranking, o aumento geral de intensidade da prática foi de 63 vezes.
As indústrias que mais se relacionaram com as indtechs foram: Mineração e metais, com 11,2%, seguida por Alimentos e Bebidas (8,1%) e Serviços Profissionais e Comerciais (6,2%). Além disso, das mais de 18 mil startups cadastradas, 2.414 tiveram contratos de open innovation com corporações validados para o Ranking 2021, contra 1.310 em 2020, ou seja, mais de 1.000 novas startups geraram impacto nas cadeias tradicionais em 2021.
O que muda após a parceria com indtechs?
Você deve estar se perguntando: O que muda após a parceria entre indústrias e indtechs? Em primeiro lugar, vale ressaltar que esse processo é considerado uma verdadeira disrupção nos processos conhecidos e praticados pelas indústrias até então. Selecionamos 4 principais pontos. Confira:
Descentralização:
Fábricas inteligentes buscam otimizar o tempo e aumentar a eficiência. Para que isso aconteça, é necessário descentralizar a intervenção humana para melhorar o desempenho da máquina. A proposta é desenvolver sistemas ciberfísicos que permitam automatizar a tomada de decisões. Portanto, as tarefas são executadas da forma mais autônoma possível. A interferência humana é uma exceção e geralmente é delegada a um nível superior.
Digitalização de processos:
Outro princípio da fábrica inteligente é criar uma réplica virtual da indústria. Ao interligar os dados, são desenvolvidos modelos de plantas digitais. Isso permite criar modelos de simulação e monitorar os processos físicos implementados. A ideia é desenvolver uma condição em que as pessoas possam visualizar e entender as informações geradas por todos esses dados. Assim, é possível tomar decisões e solucionar problemas rapidamente. A digitalização colabora, ainda, para a qualidade de vida dos colaboradores, eliminando ou reduzindo tarefas desgastantes e perigosas.
Tomada de decisão em tempo real:
A digitalização e a alta tecnologia desenvolvidas por indtechs garantem a capacidade de realizar análises e tomar decisões em tempo real. Isso se torna ainda mais importante, pois se baseia na coleta de grandes quantidades de dados. Indústrias já entenderam que toda essa agilidade e capacidade de ler dados mais rapidamente resulta em uma estratégia confiável e ainda permite o desenvolvimento de novas oportunidades de negócio.
Integração e Modularidade:
A modularidade é uma das principais características das indtechs, pois são especializadas em desenvolver processos complexos, projetados de forma independente, mas que funcionam de forma integrada. Além disso, estão preparadas para se adaptar às mudanças de necessidades das indústrias. Oferecem flexibilidade diante das transformações e permitem a descentralização da tomada de decisão. Toda essa flexibilidade é usada para modificar e personalizar a produção conforme a necessidade.
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Quais são as vantagens?
A Indústria 4.0 é uma tendência do setor que chegou para ficar. O desenvolvimento de fábricas inteligentes é o melhor exemplo de como a transformação digital pode trazer benefícios para o segmento. Não há dúvidas de que essas mudanças tiram as empresas da zona de conforto, mas os benefícios são muito claros. Vejamos alguns exemplos:
Ganho de produtividade:
Os investimentos em tecnologia podem automatizar vários processos, resultando em maior agilidade e precisão na execução. A partir daí, os colaboradores podem ser designados para atividades mais estratégicas, que realmente agregam valor aos resultados e se alinham aos objetivos do negócio.
Aumento da eficiência:
Com o uso de tecnologias e ferramentas modernas para aumento da produtividade, consequentemente obtemos ganhos em eficiência. Assim, os recursos industriais podem ser empregados com mais inteligência para reduzir os erros ao executar processos. Isso, em outras palavras, significa, o aumento da eficiência operacional e a melhoria de indicadores que podem alavancar o desempenho de um negócio.
Redução de custos:
O processo de inovação permite que máquinas, equipamentos e sistemas tenham mais autonomia para executar processos e programações, muito comuns em um ambiente industrial. Isso, aliado ao ganho de eficiência, gera oportunidades de reduzir os gastos, gerar economias e aprimorar os resultados. Assim, é possível criar estratégias de investimento em novos processos ou aperfeiçoamento de outras rotinas de produção.
A Platt conecta indtechs à indústrias
Inovação aberta é algo que não se faz de forma isolada. Trata-se de um desafio amplo e complexo, mas que pode ser mitigado com as parcerias certas. No Brasil, essa é uma tendência que deve continuar crescendo nos próximos anos. A soma de experiências revela que a maturidade colabora e muito para a redução de riscos. Assim, projetos de inovação têm mais chances de darem certo.
A Platt pode ser a parceira ideal para acelerar a transformação digital. Nossa plataforma conta, agora, com 37 indtechs certificadas e mais de 150 soluções comprovadas e validadas para acelerar a transformação digital em indústrias. Através de um contrato único, nossos clientes têm acesso imediato às soluções, de forma simples e ágil.
Fontes e Referências:
- https://www.mariaaugusta.com.br/inovacao-para-empresas-parceria-com-startups-e-inovacao-aberta/
- https://exame.com/negocios/grupos-tradicionais-aceleram-parcerias-com-startups-em-busca-de-inovacao/
- https://blog.idwall.co/startup-como-selecionar-parcerias/
- https://gcmais.com.br/noticias/economia/2022/06/29/pequenos-negocios-e-startups-a-parceria-que-deu-certo-para-a-economia-do-brasil/
- https://noticias.portaldaindustria.com.br/noticias/inovacao-e-tecnologia/ranking-top-100-open-startups-2021-anuncia-as-top-10-indtechs/



